
SONHO
queria ser poetisa marginal
rabiscar versos radicais com imagens periféricas
e palavras cheias de furor favelado e popular
consultei meus amigos sábios e ilustrados
para descobrir a misteriosa chama da linguagem
ou os segredos do dissoluto ritmo original
mas eles só entendiam de teorias sofisticadas
e de discursos que provocam dores de cabeça
a quem por desgraça não sabe mais que soletrar
fiz então cursos de letras atrás da rara sapiência
sentada em cadeiras duríssimas e chatas de agüentar
para escutar doutores cheios de títulos e diplomas
que não tinham noção do que é a matéria substancial
parti então para consultar oráculos bruxas e videntes
sob a crença firme de que eles sim me podiam ajudar
a encontrar os segredos para articular o verbo essencial
porém só gastei grana e sapatos na caminhada horrorosa
por uma cidade sem beleza nem glória digna de festejar
aturdida com meu desejo e a ponto de renunciar
tomei a decisão de visitar tudo quanto é terreiro e igreja
na busca última de meu destino de artista do signo virtual
só que tive de pagar o dizimo e as velas para os orixás
o que me deixou sem vontade de seguir o caminho
já metafísico para achar o que tanto queria decifrar
até que um dia tropecei com o poeta Camero Martan
num boteco da vida famoso por sua cachaça e lingüiça
quem me disse sem maiores delongas ou subterfúgios
que sem experimentar a miséria e violência congênitas
jamais se pode chegar a ser uma autêntica poetisa marginal
Letrista: Nina L. Tenúcia
(Ilusionista e Samaritana)
rabiscar versos radicais com imagens periféricas
e palavras cheias de furor favelado e popular
consultei meus amigos sábios e ilustrados
para descobrir a misteriosa chama da linguagem
ou os segredos do dissoluto ritmo original
mas eles só entendiam de teorias sofisticadas
e de discursos que provocam dores de cabeça
a quem por desgraça não sabe mais que soletrar
fiz então cursos de letras atrás da rara sapiência
sentada em cadeiras duríssimas e chatas de agüentar
para escutar doutores cheios de títulos e diplomas
que não tinham noção do que é a matéria substancial
parti então para consultar oráculos bruxas e videntes
sob a crença firme de que eles sim me podiam ajudar
a encontrar os segredos para articular o verbo essencial
porém só gastei grana e sapatos na caminhada horrorosa
por uma cidade sem beleza nem glória digna de festejar
aturdida com meu desejo e a ponto de renunciar
tomei a decisão de visitar tudo quanto é terreiro e igreja
na busca última de meu destino de artista do signo virtual
só que tive de pagar o dizimo e as velas para os orixás
o que me deixou sem vontade de seguir o caminho
já metafísico para achar o que tanto queria decifrar
até que um dia tropecei com o poeta Camero Martan
num boteco da vida famoso por sua cachaça e lingüiça
quem me disse sem maiores delongas ou subterfúgios
que sem experimentar a miséria e violência congênitas
jamais se pode chegar a ser uma autêntica poetisa marginal
Letrista: Nina L. Tenúcia
(Ilusionista e Samaritana)